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Gastos públicos e dívida

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Gastos públicos e dívida

Por que importa

Por que isso mexe com a sua vida

Em 2025 o governo pagou R$ 1 trilhão de juros da dívida pública, quase o mesmo que gastou com todas as aposentadorias e pensões do INSS, R$ 1,03 trilhão [1][4]. Quando o governo gasta mais do que arrecada, a diferença vira dívida, e a dívida cobra juro. O que vai para o juro não vai para posto de saúde, escola ou estrada.

O que decide

O que decide se funciona

Cerca de 92% do gasto federal é obrigatório: aposentadorias do INSS são 43% do total, salários 17%, e sobram 8% para o que é escolha, como obras [3]. A Constituição fixa pisos, que são mínimos obrigatórios: 15% da receita corrente líquida em saúde e 18% dos impostos em educação [15]. Qualquer regra só funciona se mexer no obrigatório, cortar o que o governo deixa de arrecadar ou aceitar mais dívida. A dívida bruta, tudo o que União, estados e municípios devem, era 74% do PIB em 2019 e 79% no fim de 2025 [2].

Deu certo

Quando o teto de gastos deu certo

Em 2016 uma emenda congelou o gasto federal por 20 anos, corrigido só pela inflação [9]. O déficit primário, o que falta antes de pagar juros, caiu de R$ 161 bilhões em 2016 para R$ 95 bilhões em 2019 [4]. A Selic, o juro básico, caiu de 13,75% para 4,5% ao ano [13]. Para quem defende o teto, o limite deu confiança e derrubou o juro.

Deu errado

Quando o teto de gastos deu errado

Com aposentadorias e salários crescendo dentro de um limite fixo, o corte caiu no que era ajustável: o investimento federal, que é obra e equipamento, foi de 1,34% do PIB em 2014 a 0,45% em 2022, o menor da série do Tesouro [4]. E o limite foi alterado três vezes em dois anos, inclusive um estado de emergência em 2022 para pagar benefício fora dele [9][10].

Deu certo

Quando gastar mais deu certo

Na crise mundial de 2008 o governo ampliou crédito, obras e programas sociais em vez de cortar. O PIB caiu só 0,1% em 2009 e cresceu 7,5% em 2010 [14]. Com a economia crescendo, a arrecadação subiu e a dívida bruta caiu para 51,5% do PIB em 2013, o menor da série [2].

Deu errado

Quando gastar mais deu errado

O estímulo foi mantido com a economia parada. O superávit de 1,4% do PIB em 2013 virou déficit de 2,6% em 2016 [4], e a dívida bruta subiu de 51,5% para 69,8% do PIB em três anos [2]. Entre setembro de 2015 e fevereiro de 2016 as três agências de risco tiraram do Brasil o grau de investimento, o selo de bom pagador [16]. Sem ele, o país paga juro maior para se financiar.

Deu certo

Quando cortar benefício deu certo

A desoneração da folha, de 2011, trocou a contribuição das empresas sobre salários por uma alíquota menor sobre o faturamento, e o Tesouro compensou o INSS em R$ 129 bilhões entre 2012 e 2022 [4]. Uma lei de 2024 fixou o fim gradual até 2027 [8].

Deu errado

Quando cortar benefício não saiu do papel

Em 2021 uma emenda mandou reduzir os benefícios tributários a 2% do PIB em oito anos [6]. Em 2026 eles somam R$ 613 bilhões, 4,43% do PIB [5]. Os maiores são o Simples, das pequenas empresas, com 22% do total, a agricultura com 13% e isenções do imposto de renda com 10% [5]. Em 2014 a Zona Franca de Manaus ganhou mais 50 anos de prazo [7]. Cada benefício tem defensor organizado no Congresso.

O dilema

O dilema

Você escolhe quem paga a conta do que o governo já prometeu: quem recebe aposentadoria, saúde e escola, se as obrigações forem cortadas; quem hoje paga menos imposto, se as isenções forem cortadas; ou quem paga juro no futuro, inclusive você, se a dívida crescer para investir agora.

A seguir, os caminhos, um por tela, cada um com o que faz, o que custa e o argumento mais forte de cada lado.

Um caminho

Manter os pisos e fechar a conta cortando subsídios e isenções

O que faz

mantém na Constituição os pisos de 15% da receita corrente líquida em saúde e 18% dos impostos em educação, e as regras de aposentadoria [15]. Fecha a conta revisando os R$ 613 bilhões por ano em isenções e regimes especiais [5], cobrando de quem hoje paga menos em vez de cortar serviço.

O que custa

os maiores benefícios não são de grandes empresas: Simples 22%, agricultura 13%, isenções do imposto de renda 10% [5]. Cortar atinge pequeno negócio, preço da comida ou o seu imposto, e enquanto o corte não vem a dívida cresce.

Argumento mais forte a favor

aposentadoria, posto de saúde e escola são a parte do orçamento que chega a quem depende dela. Cortar ali passa a conta a quem tem menos, enquanto o benefício fiscal segue intocado apesar da ordem dada em 2021 [6].

Argumento mais forte contra

a Constituição mandou reduzir os benefícios a 2% do PIB e eles subiram para 4,43% [5][6]. Cada isenção tem defensor no Congresso: a promessa de fechar a conta por esse lado se repete e não se cumpre, e a dívida sobe enquanto se espera.

Um caminho

Teto rígido de gasto e fim das vinculações na Constituição

O que faz

fixa um limite para o gasto total, corrigido só pela inflação, como o teto de 2016 [9], e tira da Constituição os pisos: governo e Congresso decidem a cada ano quanto vai para saúde, educação e cada programa, dentro do que a arrecadação permite.

O que custa

com 92% do gasto obrigatório [3], o teto esmaga o que sobra: o investimento federal caiu a 0,45% do PIB em 2022 [4]. Sem piso, saúde e educação dependem de quem governa: se isso é bom ou ruim depende de você confiar no governo do momento, e o governo muda.

Argumento mais forte a favor

entre 2016 e 2019 o déficit caiu de R$ 161 bilhões para R$ 95 bilhões e a Selic de 13,75% para 4,5% [4][13]. Limite claro dá previsibilidade a quem empresta ao país, e juro menor barateia financiar casa, carro ou negócio.

Argumento mais forte contra

o teto foi alterado três vezes em dois anos, inclusive um estado de emergência para pagar benefício fora da regra em 2022 [10]. Regra rígida que não cabe na realidade acaba furada, e enquanto valeu cortou obra e manutenção, não aposentadoria.

Um caminho

Investir mais agora, aceitando mais dívida por um tempo

O que faz

usa o orçamento e os bancos públicos para financiar obra, saneamento, transporte e serviços, mesmo com déficit por alguns anos. A regra atual exige no mínimo 0,6% do PIB em investimento [11]. Esta opção vai além e aceita que a dívida suba, apostando que o crescimento depois aumenta a arrecadação.

O que custa

a dívida bruta está em 79% do PIB e os juros custaram R$ 1 trilhão em 2025 [1][2]. A Instituição Fiscal Independente do Senado calcula que estabilizá-la exigiria superávit de 2,1% do PIB, e o país tem déficit [12]. Mais dívida agora é mais juro depois.

Argumento mais forte a favor

em 2009 e 2010 gastar na crise segurou o PIB, e a dívida caiu para 51,5% em 2013 [2][14]. Estrada, porto e saneamento aumentam produtividade e arrecadação por décadas, e o investimento federal está no menor nível da série [4].

Argumento mais forte contra

a mesma aposta entre 2011 e 2016 levou a dívida de 51,5% para 69,8% do PIB e tirou do país o grau de investimento, encarecendo o juro [2][16]. Se o crescimento não vem, sobra a dívida, e quem decide quando parar é o governo do momento.

A sua escolha

O que você escolheria

Toque no caminho que você seguiria. Dá para mudar depois, e deixar em aberto conta como resposta.

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Fontes

  1. Banco Central do Brasil, Estatísticas fiscais, nota para a imprensa de 30 de janeiro de 2026, PDF: juros nominais de R$ 1.007,6 bilhões em 2025 e dívida bruta de 78,7% do PIB. abre em nova aba
  2. Banco Central do Brasil, série 13762 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, dívida bruta do governo geral em % do PIB, valores de dezembro de 2006 a julho de 2026, lida pela API de dados abertos. abre em nova aba Segunda página desta fonte abre em nova aba
  3. Tesouro Nacional, Relatório de Projeções Fiscais, 6ª edição, julho de 2025, PDF, páginas 22 e 25: participação das despesas obrigatórias e das discricionárias na despesa primária. abre em nova aba
  4. Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional, série histórica anual, planilha de julho de 2026, tabelas 2.1, 2.1-A e 2.3-A: resultado primário, benefícios previdenciários, compensação ao RGPS pela desoneração da folha e investimento em % do PIB. abre em nova aba arquivo abre em nova aba
  5. Receita Federal, Demonstrativo dos Gastos Tributários, previsão PLOA 2026, base conceitual, setembro de 2025, PDF, páginas 9 e 10. abre em nova aba
  6. Emenda Constitucional nº 109, de 2021, art. 4º, Planalto. abre em nova aba
  7. Emenda Constitucional nº 83, de 2014, acrescenta 50 anos ao prazo da Zona Franca de Manaus, Planalto. abre em nova aba
  8. Lei nº 14.784, de 2023, prorroga a desoneração da folha até 31 de dezembro de 2027, e Lei nº 14.973, de 2024, art. 9º-A da Lei nº 12.546, reoneração gradual de 2025 a 2027, Planalto. abre em nova aba Segunda página desta fonte abre em nova aba
  9. Emenda Constitucional nº 95, de 2016, arts. 106 e 107 do ADCT, Planalto, e página do Senado Federal sobre o cumprimento do teto de gastos, com as alterações das Emendas 113 de 2021 e 126 de 2022. abre em nova aba Segunda página desta fonte abre em nova aba
  10. Emenda Constitucional nº 123, de 2022, art. 120 do ADCT, estado de emergência, e Emenda Constitucional nº 126, de 2022, acréscimo de R$ 145 bilhões ao limite de 2023 e prazo para nova regra fiscal, Planalto. abre em nova aba Segunda página desta fonte abre em nova aba
  11. Lei Complementar nº 200, de 2023, arts. 5º e 10, regime fiscal sustentável e investimento mínimo de 0,6% do PIB, Planalto. abre em nova aba
  12. Instituição Fiscal Independente do Senado Federal, Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 115, agosto de 2026, PDF, páginas 3 e 4. abre em nova aba
  13. Banco Central do Brasil, série 432 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, meta da taxa Selic, lida pela API de dados abertos. abre em nova aba
  14. IBGE, Série histórica do PIB, variação anual em volume, planilha da Agência IBGE Notícias. abre em nova aba
  15. Constituição Federal, art. 198, § 2º, inciso I, e art. 212, texto compilado, Planalto. abre em nova aba
  16. Tesouro Nacional, Histórico da classificação de risco da República para a dívida de longo prazo, sistema de consulta pública, com exportação em CSV. abre em nova aba

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